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HDOM SUMMIT 2021


A Neocert Certificações esteve presente no HDOM Summit, o principal evento dedicado a executivos, gestores e investidores florestais no Brasil, realizado nos dias 16 e 17/11. Guilherme Lopes, Líder de Experiência em Manejo Florestal, e Lineu Siqueira Jr., membro do Conselho de Administração, participaram presencialmente e trazem para nós os principais pontos discutidos neste encontro organizado pela Malinovski.

No texto abaixo, de Guilherme Lopes, você encontra um resumo do segundo e último dia, que teve temas que ressaltaram a importância do fator humano na competitividade florestal, através da liderança e governança, da capacitação e inovação.

Painel 1. ESG na visão dos CEOs

Foi consenso neste painel que as empresas florestais, principalmente aquelas que possuem certificações socioambientais, já tratam muitos dos indicadores ESG no seu dia a dia, mas que a parte de Governança vem como uma boa novidade, pois a cultura da empresa tem que ser moldada à estratégia da companhia. Outro ponto importante destacado é que a estratégia ESG deve ter foco na priorização de metas embasadas em projetos que as sustentem, e que não se devem estabelecer uma quantidade muito grande de metas, que tentem “abraçar o mundo”, pois corre-se o risco de não conseguir empenhar esforços suficientes para que todas elas possam ser cumpridas.

Observou-se também nas discussões a preocupação de que as práticas de ESG reflitam, de fato, a realidade da empresa, e que não representem somente uma tendência. Além disso, as práticas sustentáveis não podem ser consideradas como custo, mas sim como um investimento, por se tratar de uma questão de sobrevivência e que pode proporcionar melhoria de vida para as pessoas em toda a cadeia de relacionamentos.

Ao longo das discussões foi apontada a importância de se avaliar a cadeia de relacionamentos que envolve a estrutura das empresas: funcionários, próprios e terceiros, mas também a rede de relacionamentos com todos os stakeholders. Outro ponto abordado é que vivemos hoje uma nova realidade institucional, mais complexa, mais digital e conectada, na qual a alta direção das companhias devem dar liberdade de voz às pessoas. É preciso estabelecer canais de comunicação para que seja possível ouvir críticas, sugestões e questionamentos que poderão contribuir com ações de melhorias.

Fundamental considerar que os líderes devem desempenhar um papel de inspiradores das pessoas com as quais atuam, uma vez que a estratégia de ESG deve estar permeada por toda a estrutura da empresa, em todas as instâncias e níveis hierárquicos.


Painel 2. Riscos para a competitividade florestal


O primeiro ponto abordado neste painel e que impacta diretamente na competitividade foi a produtividade florestal. Esse índice, após grandes incrementos observados nas últimas décadas, encontra-se atualmente em um patamar de estagnação. As principais causas são atribuídas a fatores como: adaptação de materiais genéticos a condições edafoclimáticas em função de uma baixa diversidade dos materiais genéticos disponíveis; disponibilidade hídrica em regiões das novas fronteiras de expansão e também em função das mudanças de regimes de chuvas e consequentes aumentos de períodos de estiagem; ocorrências de pragas e doenças; ventos e incêndios florestais.

Os programas de pesquisa das empresas e aqueles desenvolvidos em parcerias com a academia poderiam ajudar a enfrentar essa nova realidade. Além disso, destacou-se a importância de se atentar ao fator humano envolvido no manejo florestal, ou seja, a necessidade de se investir em treinamento e capacitação para formação de profissionais com perfil mais técnico e voltados para realizar atividades práticas – até porque as expectativas com os conceitos de Floresta 4.0 exigirão profissionais mais qualificados para atuarem manuseando ferramentas, equipamentos e técnicas com alto grau de complexidade.

Outra questão foi a temática dos desafios sobre disputa de terras com culturas agrícolas de ciclos mais curtos; bem como modelos de negócios e de contratos que, à primeira vista, poderiam ser mais atrativos em função de um maior imediatismo nas antecipações de receitas. Como ponto a favor, os ciclos mais longos da atividade florestal podem ajudar a diluir os riscos de efeitos de variações climáticas, o que poderia prejudicar de forma significativa a safra de uma cultura anual submetida a um evento extremo pontual.

Especificamente com relação ao setor de madeira sólida, as preocupações trazidas referem-se à falta de expectativa de determinados modelos de parcerias e arrendamentos, além de mudanças no perfil das florestas plantadas de pinus. Cada vez mais, essa cultura vem sendo conduzida para produção de madeira de processo e não para diversificação da floresta com base no uso múltiplo, o que poderá impactar de forma muito acentuada a cadeia das indústrias de base na madeira sólida.

Painel 3. Transformação digital, Inovação e Tecnologias

A transformação digital, o processamento de dados e o uso da tecnologia possibilitam a antecipação de resultados de campo e ajudam na tomada de decisão em um momento mais oportuno, mais assertivo, possibilitando correções de processos antes que ocorram grandes acúmulos de erros em operações no campo.

No entanto, foi consenso no painel que os processos tecnológicos devem ser desenvolvidos com a participação efetiva dos futuros usuários. Eles devem participar da construção das ferramentas e soluções, pois caso contrário, corre-se o risco de elas não serem factíveis de aplicação prática.

No contexto da atividade florestal, a interface dos usuários finais com a área de Tecnologia da Informação assume grande importância, uma vez que será o operador florestal, independentemente da área específica que atua, seja silvicultura, seja colheita, quem de fato poderá utilizar as tecnologias desenvolvidas para melhorias de processo. E, muito embora não tenham conhecimento dos processos de desenvolvimento das tecnologias, serão essas pessoas que poderão ajudar a criar indicadores de performance, e com isso aproximarem os conceitos de desenvolvimento teóricos e práticos.

Deve-se, no entanto, se atentar ao fato de que o uso da tecnologia ajuda muito no processo como um todo, mas que não substitui a necessidade da vivência prática e da observação de campo, que dependem da sensibilidade desenvolvida na execução das atividades do dia a dia na floresta.

Painel 4. O profissional do futuro: como serão as relações do trabalho para os próximos anos?

Os líderes devem desempenhar cada vez mais o papel do gestor educador, trabalhando com protagonismo no sentido de ajudar a transmitir conhecimento em todos os elos da cadeia. É necessário que se crie um ambiente de aprendizado, envolvendo não só a empresa, mas a família dos trabalhadores e a sociedade toda de uma forma mais ampla.

Investir no profissional do futuro significa investir também nos profissionais do presente, para que eles se sintam responsáveis por cada parte do processo e que possam se engajar para auxiliarem na busca de soluções. Entre os principais pontos abordados neste painel, foi destacado que é imprescindível desenvolver profissionais que consigam trazer soluções de curto e médio prazos.

Foi feito um questionamento de como os profissionais podem atuar para não se tornarem irrelevantes no futuro, considerando-se a interação com novas tecnologias, tais como biotecnologia, robótica, inteligência artificial, dentre outras. A resposta considerou o fato de que tais tecnologias dependem inteiramente de bons profissionais, que estejam capacitados, atualizados, motivados e engajados e que sempre serão responsáveis por alimentarem as entradas de dados dos sistemas com informações de qualidade. Se isso não acontecer, os sistemas sozinhos nunca darão conta de proporcionar uma saída de dados coerente com a realidade dos processos produtivos, e que possa gerar mais controle e informação de qualidade.

Uma frase dita, que deve ser destacada e responde a tal questionamento é a seguinte: “Não existe perda de conhecimento, mas sim transformação de conhecimento. Manter-se relevante significa manter-se atualizado”.


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